Quem será o chefe?

CPI descobre que propina era repassada para o "Chefe"

13/05/2019 14h26 - Atualizado em 13/05/2019 14h30
Foto: divulgação
Carlos Amastha é citado em depoimento da PF em Belém

Empresário preso no Pará falou em depoimento aos vereadores da Capital que o ex-presidente do Previpalmas, Max Fluery, teria repassado propina ao "chefe" e que a intenção era promover investimentos fraudulentos na ordem de R$ 200 milhões.
 

Um depoimento dado a Policia Federal em Belém (PA) no ano de 2018 pode se tornar revelador para as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito do Previpalmas, a partir de informações que foram apresentadas pelo empresário Elton Felix Gobi Lira, que se encontra preso na capital paraense.

Vereadores membros da CPI do Previpalmas foram até Belém-PA, para questionar Elton Lira, que está preso, sobre as afirmações ditas por ele à Polícia Federal no ano passado, de que o ex-presidente do Previpalmas, Max Fleury, foi o responsável pelas aplicações irregulares. Elton também falou aos vereadores que Fleury teria repassado uma comissão (propina) dos investimentos feitos para o “chefe”. O prefeito de Palmas na época era o Carlos Amastha.

O empresário está preso por fazer parte de um esquema que desviou recursos de fundos de previdência em vários municípios espalhados por Brasília, Pará, Santa Catarina, Amapá e Tocantins, e também aplicava golpes em vítimas onde prometia multiplicar o dinheiro com aplicações na bolsa de valores que nunca existiram.

Na capital Palmas, Elton chegou através da Êxito Assessoria, empresa que presta serviço de consultoria para o mercado financeiro e que em 2015 foi contratada pelo Previpalmas através de um processo licitatório. Foi a partir desse contrato que Elton se aproximou da gestão municipal, apresentando vários projetos de investimentos, entre eles o Cais Mauá, que recebeu dois anos depois de sua visita, investimentos de R$ 30 milhões oriundos da aposentadoria do servidor municipal.

Em seu depoimento no ano de 2018, Elton informou que as propinas pagas pelos investimentos feitos com o Previpalmas no Cais Mauá ocorreram na sede da Icla Trust, no Rio de Janeiro, e que estavam presentes para receber o dinheiro, Guilherme Amastha, filho do ex-prefeito Carlos Amastha, Max Fleury e Paulo José de Lima, representante do Cais. A Icla é a mesma empresa envolvida no escândalo do Igeprev, cujo rombo chega em R$ 400 milhões.

Quando questionado sobre essas informações, os vereadores da CPI perguntaram se o tal “chefe” citado por ele seria o ex-prefeito Carlos Amastha, mas Elton Lira respondeu apenas um “pode ser”, conforme esclarecido pelo advogado de Amastha, Leandro Manzano, que acompanhou o depoimento na semana passada.

“Depois de muita insistência, o Gobi Lira [Elton] soltou apenas um ‘pode ser’, mas ficou claro que ele não sabia de quem se tratava”, falou o advogado em entrevista ao Portal CT na quarta-feira, 08.

No depoimento da última terça-feira, ainda foi informado por Elton Lira que havia o interesse de realizar operações irregulares no Previpalmas no valor de R$ 200 milhões, em fundos “podres”, onde seria possível operar o esquema, desviando parte como propina e comissão.

O jornal Primeira Página entrou em contato com a assessoria do ex-prefeito Amastha para solicitar um posicionamento quanto as declarações envolvendo ele e seu filho, mas até o fechamento dessa reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto.

Fonte: PRIMEIRA PÁGINA 

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