Palmas - TO domingo, 24 de março de 2019

Professora da ETI Luiz Rodrigues é a única mulher tocantinense a arbitrar pela FTF e CBF

No Tocantins

14/03/2019 10h27 - Atualizado em 14/03/2019 10h29
Foto: Divulgação

O mês de março é voltado às mulheres, cheio de festividades e homenagens, mas também um momento de reflexão sobre as conquistas das mesmas, uma vez que até algum tempo atrás elas tinham que pedir permissão para tudo aos maridos.

Mas desde então, as conquistas foram muitas e uma delas se deu no campo, tido até então, como restrito aos homens – a arbitragem.

Elas estão cada vez mais presentes no quadro da arbitragem nacional e o Tocantins tem a sua representante – a educadora física da ETI Luiz Rodrigues Monteiro (Palmas) e assistente de árbitro Alvani Brito Nunes, que iniciou a carreira na área em 2005 para complementar a carga horária da Faculdade de Educação Física. “Comecei fazendo o curso, e aí gostei, me dediquei e continuei, sendo que no ano seguinte já estava atuando na arbitragem tocantinense”, disse ela, lembrando que em 2007 entrou no quadro nacional com índice feminino.

Ela conta que foi evoluindo até passar para o índice masculino. Entretanto, de 2013 para 2014, se envolveu em um acidente de trânsito, fez cirurgia no joelho e ficou mais de ano sem atuar e treinar. “Mas não desisti, e logo que voltei e ainda em recuperação, fiz dois testes para o quadro nacional e fui reprovada, porém não desanimei, me dediquei, treinei, fui aprovada e tento sempre me superar”, conta Alvani.

Questionada sobre o preconceito dentro e fora de campo, ela diz que ainda há, mas sabe que sua capacidade não tem a ver com gênero e sim com sua dedicação. “Preconceito sempre existe, mas hoje está bem melhor, e graças a Deus, atualmente estou entre os melhores e isto mostra que capacidade não tem a ver com gênero”.

Para ela, a cobrança é a mesma que a do homem em campo, mas acredita que quando há erros por parte das mulheres, a punição é maior. “Principalmente quando se trata dos comentários, do tipo errou porque é mulher, que futebol não é para nós, mas a arbitragem feminina está crescendo e quem está dentro trabalha para o reconhecimento de que somos aptas a apitar 90 minutos de uma partida”, afirma Alvani, que fará na próxima sexta-feira, 15, teste para Árbitros Assistentes Masculinos, visando atuar em partidas dos diferentes campeonatos brasileiros e Copa do Brasil.

Para Alvani Nunes as mulheres conseguiram muita evolução na arbitragem nacional, mas que ainda é preciso ter mais espaço. “Acredito que com o tempo elas vão conseguir conquistar ainda mais”, finalizou.

Inspiração

Alvani é a única mulher do Estado que atua na arbitragem nos jogos dos campeonatos tocantinense e faz parte do quadro de arbitragem da Federação Tocantinense de Futebol (FTF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF), atuando em campeonatos realizados pelas entidades. Tal fato serve de inspiração para outras mulheres.

Segundo o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem do Tocantins (CEAF/TO), Adriano de Carvalho, atualmente a Escola de Arbitragem do Tocantins tem seis mulheres fazendo o curso. “E queremos e estamos empenhados em aumentar a participação feminina na arbitragem tocantinense e do quadro nacional e sempre as aconselho a saberem lidar com a crítica para seguir em frente, além de se dedicar sempre e estudar”, explica Carvalho.

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