Palmas - TO quinta, 23 de novembro de 2017

Palmeiras faz boletim de ocorrência e promete se afastar de organizadas

Futebol

14/11/2017 09h23 - Atualizado em 14/11/2017 09h24
Foto: Reprodução/Facebook
Mancha Alvi-Verde foi cobrar o time antes do jogo contra o Flamengo

O Palmeiras informou na tarde desta segunda-feira (13) que fez um boletim de ocorrência e vai solicitar abertura de inquérito policial sobre o protesto deste domingo, quando torcedores foram até a porta da Academia de Futebol e atiraram objetos contra os veículos que levavam a delegação para o jogo contra o Flamengo, no Allianz Parque. A manifestação foi organizada pela Mancha Alviverde, principal torcida organizada do clube.

A nota assinada pelo presidente Maurício Galiotte diz que duas pessoas foram atingidas por estilhaços de vidros - de acordo com quem estava presente, o atacante Keno e a nutricionista Alessandra Favano, que não se machucaram,

Além de cobrar a apuração do caso, o clube promete se distanciar das torcidas organizadas. O texto informa que não haverá mais qualquer tipo de diálogo autorizado entre elas e os jogadores. Em abril, por exemplo, lideranças da Mancha tiveram uma reunião com o elenco dentro da Academia de Futebol. A promessa é de que essa cena, inimaginável com o ex-presidente Paulo Nobre, não se repita mais. Pares do atual presidente dizem que ele vetou um novo encontro sugerido pelos organizados na última sexta-feira.

Quando assumiu o cargo, Galiotte trabalhou para encerrar o clima bélico entre clube e organizadas, fruto dos quatro anos de relações rompidas por decisão de Nobre. Clube e Mancha se ajudaram na organização de algumas festas, como a recepção a Borja, e um canal para diálogo foi aberto. Agora, o Palmeiras considera que "a linha do respeito" foi rompida.

Veja a nota de Maurício Galiotte:

"A Sociedade Esportiva Palmeiras lavrou Boletim de Ocorrência e irá solicitar a abertura de inquérito policial para que se apure o lamentável episódio deste domingo (12) envolvendo o ataque aos veículos que transportavam a delegação para a partida contra o Flamengo.

Dois integrantes do Departamento de Futebol do Palmeiras foram atingidos por estilhaços dos vidros que foram quebrados por manifestantes que acompanharam a saída do ônibus da Academia de Futebol.

Muito mais do que danificar um patrimônio do Palmeiras, colocar em risco a integridade física de seres humanos, profissionais que estavam no exercício de suas atividades, é inadmissível e injustificável. Por isso não vamos tolerar tais condutas.

Como Presidente do Palmeiras reforço que, enquanto eu ocupar este cargo, não haverá qualquer tipo de diálogo autorizado pela Diretoria entre integrantes de torcidas organizadas e jogadores do clube.

Reitero que seguirei mantendo a política de não conceder qualquer privilégio às torcidas organizadas. O clube valoriza muito seu torcedor e respeita todos os protestos, desde que sejam feitos em local e maneira adequados. Atos de violência são inaceitáveis e por isso serão reprimidos.

O Palmeiras irá fornecer todas as provas, imagens e testemunhos de quem acompanhou o episódio para auxiliar as autoridades".

Reação

Conselheiro do Palmeiras e um dos líderes da torcida Mancha Alviverde, Paulo Serdan atacou nesta segunda-feira a decisão do presidente do clube, Maurício Galiotte, de se afastar das torcidas organizadas como resposta ao protesto realizado no último domingo. Serdan afirmou durante transmissão ao vivo feita pelo seu perfil no Facebook que a organizada não tem privilégios por parte da diretoria.

"O protesto foi feito sem a intenção de violência. Bateram no vidro lá e o vidro estourou, infelizmente. Mas não foi uma coisa premeditada. Se fosse, os caras tinham apedrejado o ônibus", disse Serdan. No ato, realizado no domingo, antes da vitória sobre o Flamengo, os palmeirenses atiraram pipoca e pamonha no veículo que transportava o elenco. Um vidro acabou quebrado e os estilhaços atingiram dois jogadores da equipe.

Serdan afirma que Galiotte lhe recebeu no clube na última quinta-feira e em conversa, admitiu erros. "Lá no clube, você assumiu a sua incompetência, assumiu para mim os seus erros. Você não falou para mim que o Cuca ligou para dois jogadores do Palmeiras para eles não jogarem contra o Corinthians? Você não falou que tem a gravação disso aí? Por que você não solta isso para a imprensa, Maurício?", afirmou.

Após o ato da torcida no domingo, a diretoria do Palmeiras levou o caso à polícia e prometeu solicitar a abertura de investigação para apurar o episódio. Em nota oficial, Galiotte escreveu que manterá a política de não conceder privilégios às organizadas, posição contestada por Serdan. "O que é que a gente já foi pedir para vocês? Quando tem jogo importante a gente compra ingresso no Gol Norte, 30, 40 ingressos e paga o preço cheio. Nem preço de estudante vocês fazem", comentou.

Na transmissão, o conselheiro conta que Galiotte havia lhe prometido tomar alguma atitude contra o elenco em caso de derrota para o Flamengo e só depois disso liberaria a torcida para um encontro com elenco. Serdan questiona o motivo da mudança de postura do presidente na nota oficial publicada nesta segunda-feira no site do Palmeiras.

Por fim, Serdan afirma que a diretoria atual do Palmeiras merece ser alvo de um protesto similar ao feito contra o desempenho da equipe. "Tinha que jogar banana, sim, tinha que jogar pamonha, pipoca, milho. É o que vocês merecem. Você e o Mattos (Alexandre Mattos, diretor de futebol) merecem mais que os jogadores. Não vem agora dar uma de Paulo Nobre, não", disse.

Fonte: A Tribuna

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